Sempre tentei fugir
Dos corpos espalhados, com lábios marcados
Dos corações fechados nos troncos tatuados.
Sempre tentei fugir
De versos inadequados entre olhares tentados
Dos boatos cruzados em sorrisos forçados.
Sempre tentei fugir
Do banco dos julgados, por motivos injustificados
Fingir estar desinteressado por andar isolado.
Sempre tentei fugir
De quem devia ter confiado, após me ter desviado
De me sentir discriminado, de nunca ter duvidado.
Sempre tentei fugir
Das pontes dos cadeados, de virmos a ser separados
De não ser um dos soldados, para a guerra reservados.
Sempre tentei fugir
Dos olhos molhados, dos medos disfarçados
Em campo acumulados, que nos dão como acabados.
Da bala que me atravessa sempre tentei fugir
Mas aqui percebemos deitados, os fados são limitados.