Sempre sonhei em ter um zoo. Começar um de raiz e passear pela gravilha, dando silenciosamente os bons dias a cada espécie com um café quente na mão, mesmo antes das portas abrirem ao público. Nunca achei possível passar de uma realidade virtual para a que vivo. Apenas porque teria de lidar com números, e já todos sabemos como tento fugir deles. Foi nessa caminhada matinal, e mental, que percebi porque queria escrever sobre este assunto. O que mais gosto nos Zoos é o que tento alcançar na escrita, saber que proporciono momentos. Momentos entre um pai ou uma mãe ao ler uma história para adormecer; momentos entre um velho e o seu jornal; momentos em que descobrimos o nosso autor favorito; momentos em que vemos alguém a ler o mesmo que nós. Simples, e momentos. Longe das preocupações com as horas, com os ordenados, com o preço do bilhete da entrada. E assim continuo a minha caminhada, bebericando o meu café, e silenciosamente tentando que as pessoas se lembrem do quão felizes foram nestes momentos, como se lembram da ultima vez que foram ao Zoo.