Meros astros

Da solidão da noite luzes escorregam,
Meros astros que ao acaso se cruzam,
Dos olhares trocados que todos deduzam,
As borboletas no estômago que ambos carregam.
Dedos salgados que na areia se procuram,
Unem-se nos corpos celestes que no ar desenham,
Suspiram desejos, e promessas que venham
Sorteá-los com memórias, que das saudades curam.
Foge-lhes o tempo que tanto queriam,
Agarram-se todas as noites que se podem,
Todas as estrelas cadentes os acodem
dos anos luz capaz de mudar o que sentiam.
Da escuridão da noite agora caem,
Lágrimas silenciosas por não ter ninguém,
Mesmo que da varanda aviste esse alguém,
Ignoram-se os sentimentos que sobressaem.
Apertam-se os lábios de que ambos fogem,
Rega-se a relva em que descalços corriam,
Mal sabiam eles que das estrelas nasciam,
Divinos sentimentos, que em terra morrem

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