Ao terceiro dia

E ao terceiro dia de Natal, finalmente apercebo-me de que o mesmo está a chegar. Ao contrário do cheiro a castanhas assadas, nas ruas Portuguesas, em Londres o vento gélido apanha-nos o rosto num aroma doce a pipocas.

São apenas quatro horas, mas o sol já se esconde, e noto pela primeira vez as luzes de natal acesas. A Lua encolhe-se de inveja. Caminha-se de mãos nos bolsos e ombros encolhidos. Mas existe todo um encanto, que parece abrandar a correria diária da multidão.

O florista da rua alegra o passeio com verdadeiros pinheiros fechados, e o seu cheiro mistura-se entre plantas natalícias avermelhadas ou douradas, renas de enfeitar e outras decorações. No hall da minha casa amontoam-se casacos nos cabides. E na casa dos prédios da frente, desvendam as janelas, pinheiros enfeitados e luzes a piscar.

E ao terceiro dia de Natal, finalmente chega o entusiasmo da sua chegada.

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