Tempo

Criei o hábito de me ligar à rádio portuguesa logo a seguir ao almoço, como se fosse uma quotidiana sexta-feira à tarde. Enquanto estudo abstraio-me das publicidades e canto baixinho. A energia das músicas relembra-me o verão e a luz do sol abrasador desenha um sorriso num rosto pálido. Encosto-me na fria cadeira de rodas de escritório, como se esta fosse o assento do carro que me escalda. Venho do aeroporto. Passo agora a ponte Vasco da Gama. Os óculos de sol descaem e avisto Lisboa a afastar-se a 90km/h. Vagarosamente, os meus olhos fecham-se com o peso de tamanha luminosidade Lusitana. Distraio-me com o som da chuva a passar a granizo, enquanto o vento uiva lamentos às minhas cortinas. Perco-me a pensar no tempo. Em como acelera dentro do carro, em como à secretária é metafórico. Mudo de estação de rádio, o jogo de futebol termina. Encosto a testa ao vidro da janela. Das nuvens só já resta a cinza habitual Londrina. Dá chuva para os próximos dias, anuncia a rádio. O sol encandeia o ecrã do portátil. Continuo a passar a limpo as notas da aula e, sem me aperceber, dirijo-me ao aeroporto.

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