Termino de ler a entrevista de António Lobo Antunes ao Expresso. Corro com mil ideias na cabeça, espero que estas cheguem a tempo ao teclado. Ecoam no meu isolamento no quarto de infância. E sem saber como, como nunca antes tinha acontecido, os dedos teclam mais depressa, mesmo perante a dor na ponta dos mesmos. E as ideias não desaparecem com o sono. Enquanto as deito em papel certeza tenho de que mais ideias se entrelaçarão até finalmente adormecer, com um sorriso no rosto, no meio delas. Penso em como se um dia for alguém neste meio estas palavras perdurarão e inspirarão uma nova geração de escritores. Ou como permanecerão no esquecimento até mesmo de quem as profeçou, quer por falta de fé no talento quer por desistência da sua prática. Até lá levanto-me três ou quatro vezes, atravesso o frio após abandonar os cobertores e escrevo o inicio de outra historia que nunca será contada.