Terra do Nunca

Partilhamos a mesma data de nascimento. Faz este ano 80 que faleceu, do meu nascimento passam 20. Criamos por isso o número perfeito, a idade a que todos secretamente desejam chegar. E este é o tema que, curiosamente, a sua maior obra representa: o crescimento.

Foi o meu fio condutor na escrita e no sonho. Nos temas e nos locais. Ainda hoje, ao atravessar a ponte de Westminster tanto duvido se um desastre ali aconteceu, como me pergunto se em sonhos aqueles três irmãos não terão passado além do Big Ben.

Há uns dias tinha aberto por mera curiosidade um manuscrito que começara há cerca de 3 anos, a mesma altura em que percebi que não queria crescer. Perguntava-me se conseguiria pegar numa história quebrada. O constante ‘Seria mais fácil começar de novo’ incomodava-me de certo modo. Receio que esta narrativa me tenha afetado demasiado. Ou levado a acreditar em demasia.

Já passa da meia noite, não é mais o nosso dia.

Na celebração dos 20, na recordação dos 80, teria tudo para dizer que o sonho tinha sido deitado por terra. Mas em segundos sou relembrada do nome dessa mesma terra e entendo a sua mensagem: Nunca.

 

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