Onde ainda é tudo a giz

Volto a sentar-me à secretária. Numa sala pequena onde os sinais dos alunos se contam pelos copos de plástico. Um local onde ninguém mete malas no chão, as paredes ainda se decoram com trabalhos em cartolina e onde nos sentimos crianças. Perto do quadro estão espalhados verbos que não perderam a cor. Canetas que presenciam a confusão dos mais novos que diariamente ali passam. E por todo o lado há livros e papéis que denunciam o que aprendo. Lá o tempo corre, mas parece por lá não ter passado. O quadro permanece verde e ainda é tudo a giz. Relembra-me um outro lugar onde aprendi e fui feliz.

De manhã cedo, pela janela de madeira entra o vento em rebuliço. Derruba parte dos copos e as folhas brancas parecem não saber onde aterrar. Ouve-se de perto o bater das asas dos pombos, o sino da igreja que assinala as dez. E sorrio perante o sentimento que tantos poetas colocam em papel. A minha pronúncia certamente arranha os ouvidos de quem tanto sabe. Mas é um local de aprendizagem, um local onde se cometem erros.

São salas como estas que parecem parar no tempo. São salas como estas que ditam por onde passo e o que do mundo penso.

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