Foi o sítio onde tudo começou, a história, a crença, o sonho. E começa antes mesmo de aqui chegar. As suas primeiras palavras nasceram aqui, a ideia de felicidade fantasiosa passeia-se por estes jardins. De mãos dadas com as minhas. A oportunidade de partir também. É o local que sempre me deu esperança para o que me esperava, nunca deixo a Vila sem acreditar que tudo o que virá será ainda melhor. Tudo porque existem sítios felizes. Sítios onde não se receia, onde o cabelo dança com o vento sem obrigações, onde as faltas se expõem ao sol. Tudo talvez por descansar as mãos no ferro quente e olhar o monte perdido no horizonte, pensando na possibilidade de não voltar. Tudo certamente por comigo conseguir levar esta energia, o som das folhas das palmeiras, a vista do chorão, o cheiro da relva acabada de cortar, até ao dia em que não consigo mais relembrar o calor nas minhas palmas. Nessa procura incessante pela recordação, olho para elas, abertas, viradas como que em súplica. Como se não as reconhecesse. Como se sem este lugar, não fosse o meu melhor eu. Ao correr, o verde debaixo do pôr-do-sol em aguarela mistura-se na brisa que me enche os pulmões de vida que durante meses consigo reter. E por voltas e mais voltas que dê, não me importo de parar no mesmo lugar, se o lugar for aqui.