Monsanto

Para lá chegarmos fizemos o caminho que o fogo destruiu. E da janela do autocarro já era possível compreender que iriamos bem para o topo daquele mundo rochoso.

Queria ter-me sentado à janela de madeira. Encostada à pedra. Escondida entre as cortinas brancas na brisa matinal entrelaçadas.  E de joelhos abraçados ao peito, com uma caneta e papel na mão não parar de escrever o que via para além do telhado. Olhar o horizonte, os montes, a mistura dos dois reinos e dos seus limites. Do sol, das nuvens, do verde que se mantém. Sem saber onde um termina e o outro começa. Se algum chega a terminar. Sem questionar porque se unem. Tudo isto gostava de ter fechado nas páginas do pequeno caderno azul. Mas tempo não o havia. Apenas o sino, a criação humana, o conseguia contar. E tal como o ambiente que nos envolvia, as sessões e os seus temas entrelaçavam-se. As nossas vozes ecoavam pelas íngremes ruas. À noite, entre os penedos a sua geologia cochichava ao ver-nos passar. E da varanda onde podemos admirar as estrelas, apontam-se para as luzes vermelhas ao longe que não conseguimos decifrar.

E dos 0 aos 114 anos, conhecido pelas míticas Marafonas, permanece a alma jovem da D.Alice, as histórias da D. Edite, o som dos adufes- A aldeia mais Portuguesa de Portugal. Mas foi nos suspiros dos penedos que esta voz se foi encontrar, depois do galo de prata, que enchia os seus olhos, se virar.

 

 

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