Na dúvida do ser

Ninguém é o que quer. Somos o que fazemos para atingir o que desejamos. Como reagimos quando não atingimos o desejado. Quem se atrever a dizer que tem a certeza do que é, arrisca-se a errar. A entrar nas desconfianças do ser. Todas as pessoas que se procuram encontram-se nas palavras de quem as escreve, as mais perdidas deste mundo. É esse o nosso papel, é para isso que nos arrastamos pelas páginas fora. Para lhes mostrar que a maior lição que a nossa solidão nos ensinou, foi que ninguém está sozinho nas suas mais íntimas dúvidas do ser.

Já eu, nunca me conheci com vontade de ser o que sou, estar onde estou. Do que conheço de mim, gosto de fugir e para trás olhar. Recordar. E voltar a viver o que vivi. De fingir ainda mais aquilo que sou, do que acredito ser. Do pouco que me conheço sou infiel. Digo o que quero sem querer, as palavras saltam antes do dever. O que mais conheço é incerto, e isso reconheço. Mas é do que desconheço que escrevo, e gosto mais.

 

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