Os poetas de hoje em dia

Passam por

Meia dúzia de gatos pingados

-os poetas de hoje em dia-

leem entre os bafos de um cigarro

e cruzam-se nas esquinas da Mouraria.

 

Encontram-se nas mesas espelhadas de café,

-os poetas de hoje em dia-

confiam na sorte que lhes traz a maré

e brindam ao pôr-de-sol que admiram.

 

Juntam-se pelo cigarro partilhado,

procuram o fogo que sem se ver ardia,

Aquele que Camões bem conhecia,

e sem caminho traçado

-Os poetas de hoje em dia-

comentam que do tempo lhes foi roubado

a desejada profecia.

 

Andam à chuva para se molhar

E pelo caminho ficam as beatas

‘Ai, os miúdos de hoje em dia’,

Pintam-se em frases simples

nas paredes abandonadas

de casas prestes a ser derrubadas

só porque lhes apetecia.

 

 

Mas no barulho da irreverência,

agarra-lhes pela mão a apatia,

dos versos foge-lhes o fado,

olham a noite sentados no telhado-

-os poetas de hoje em dia.

 

Já no silêncio,

 

soletram nomes

em tom de melodia,

não estivesse o dia no fim

-o poema acabado-

e o cigarro

prestes a ser

apagado.

 

 

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