Apesar de estudar Escrita Criativa, não tenho uma dissertação onde eternizar os meus agradecimentos, por isso deixo os meus aqui. No local que nasceu das aventuras e infortúnios desta etapa. No local onde memorizo as minhas viagens, os meus sentimentos soltos e o que mais adoro no Mundo.

Quando parti trazia tudo isso numa só frase de J.M. Barrie, ‘The moment you doubt whether you can fly, you cease forever to be able to do it’/ ‘No momento em que duvidares que podes voar, deixarás de ser capaz de fazê-lo para sempre’, mas eu duvidei. Duvidei no momento em que entrei no avião. Duvidei no elevador do Keyworth Centre, após a minha primeiríssima aula na LSBU. E a partir daí, não parei de duvidar. E hoje, a queda dessa pequena crença revela-se como sendo apenas a minha primeira mudança. A segunda viria após uma lecture numa língua que pensei conhecer bem. No fim desta não me restavam dúvidas, não iria conseguir acabar o curso. A meu lado, uma outra Portuguesa falava-me na palavra que mais me aterroriza- desistência. Tentei inúmeras vezes convênce-la a ficar, iríamos conseguir fazer isto juntas. Na altura, as minhas palavras não chegaram para a convencer. Paula Oliveira, não me esqueci de si. Na verdade, foram muitas as pessoas que, no último ano, me perguntaram por onde andava. Também eu gostava de saber. Procurei-a no Facebook, mas sem resultados. Espero que um dia isto lhe chegue às mãos. Como lhe disse naquele dia, ‘nós conseguimos!’ Espero que sinta vontade de tentar outra vez.

Mas aquela aula seria apenas o começo de algo inexplicável.

Naquele minuto de caminho entre a residência e a universidade obriguei-me a não chorar. Duas horas depois tinhamos seminário. Pela primeira e última vez numa aula do Henderson, sentei-me na fila da frente, para poder apanhar qualquer informação. Não havia percebido na altura que o seminário era apenas uma discussão do que havíamos aprendido na aula- em que eu não tinha percebido nada. Quando questionada sobre o que achava do poema à minha frente respondi que não sabia, não compreendia poesia, que as minhas interpretações estavam sempre erradas. É possível que tenha referido o meu desgosto por não saber apreciar poesia. Três anos passaram, e eu deixei de fugir dela. Sento-me confortavelmente com ela no colo, escrevo-a desconfortavelmente no computador. E resta-me apenas dizer, obrigada.

Costumo dizer que a Suzanne, de todos os professores, foi a minha “mãe” durante todo o curso. Há pouco mais de uma semana fui ao meu último tutorial no seu escritório. Dizia-me como não esperava que escolhesse esta sua cadeira, muito menos que a entendesse e me empenha-se tanto. E perante o elogio do título e introdução que escolhi para o meu trabalho final, pergunto-lhe: ‘Lembra-se quando eu aqui cheguei desesperada e lhe disse que não sabia escrever um essay? Ou quando trazia as introduções para serem aprovadas e me mandava apagar tudo?’. Rimo-nos, como já é hábito. Mas as gargalhadas não me apagam as memórias. E apesar de pôr tudo em dúvida, não esqueço. Entre o comentário de um escritor e a discussão da importância do que estudamos à simples preocupação de perguntar, ‘Como estás? Não sei como tens aguentado’. De saída, os meus colegas que costumavam esperar à porta perguntavam-me: ‘mas do que se riem tanto? Pelas vossas conversas parecem tão felizes!’. E penso que isto, e a sua genuína e constante preocupação com o meu futuro diz tudo.

Mas estaria a ser injusta senão mencionasse a maneira como o Alex me fez questionar o Mundo, semanalmente. Ou como a Karlien me ensinou que não se aprende a ‘fazer’, mas sim na reflexão do que fizemos. E o Leon que me apresentou aos meus livros favoritos e me levou a escrever essays sobre as únicas duas temáticas em que prometi nunca tocar. E que hoje, são também as minhas favoritas. À Clare, que em tão pouco tempo demonstrou ser uma editora implacável mas que me incentivou mais que qualquer outro professor a escrever sobre nós- Portugal- e, acima de tudo, encorajou-me a explorar áreas que tanto temia.

E por incrível que pareça, a partir daqui, desta pequena frase, começam a soltar-se as emoções e a falhar o que adoro dominar- as palavras.

Martim, a pessoa que acreditou em mim antes de ler o meu primeiro texto. A pessoa que acreditou num sonho que eu ainda estava para ter. Há uns meses encontrei-o numa narrativa biográfica, desde então que não me permite que me perca- a minha ‘blue star’, que já contava os dias para a minha partida ainda eles ultrapassavam os Mil e Trezentos. O primeiro a saber, opinar e incentivar todos os meus planos. O que nunca, em circunstância alguma, seja qual for a situação, presente ou futura, me permite perder a esperança. (Mesmo quando devia…)

Mafalda, há pouco tempo dizias-me que te deveria agradecer e dar os devidos créditos. Ambas sabemos que nunca te conseguirei dar os que verdadeiramente mereces. Hoje agradeço-te “só” a tua paciência perante as frustrações, as lágrimas, as ideias loucas e teres dados as críticas e os conselhos que tanto precisava. (Não esquecendo a ideia do 25 de Abril!) Tudo o resto fica para quando verdadeiramente publicar algo.

Vanessa, tudo podia ter dado errado ao vir para cá. Mas no fim, tudo faria sentido se te tivesse conhecido. És, sem dúvida alguma, a pessoa que mais admiro (e já estou a contar com os meus escritores favoritos). Eu não conheço ninguém com tão pouco tempo e com tanta preocupação com os outros e, se a história do meu livro nunca se acertar, a tua estará pronta para ser contada ao Mundo na ponta da minha caneta. És a Meredith Grey da vida real e eu finalmente percebi porque é que toda a gente gosta tanto dela.

Valeriya, por seres a minha twin de quem tanto me orgulho. A que quase diariamente ouve as minhas queixas ou as minhas novidades, antes de qualquer outra pessoa. A que pode ficar semanas sem ouvir nada de mim e voltar com a mesma alegria de sempre. Ensinas-me a descontrair e és sempre a mente que me apazigua só por me entenderes. Isso não tem preço. (Estava a escrever lavada em lágrimas até chegar ao teu nome). E porque já ando há demasiado tempo para usar esta frase, aqui, em Portugal ou em Marte, Big Sister will aways be watching you. With a smile.

À minha Jolie, que nunca duvidou que viria para Londres. Que me levou a acreditar na minha escrita e que sempre me leu e interpretou como se fosse um livro, guiando-me até ao derradeiro fim desta história. E sem isso, nunca teria investido a minha vontade e crença no sonho que acabo de realizar.

Aos meus Super Pais, os únicos que se permitiram sofrer para me permitir crescer. E também os únicos verdadeiros responsáveis por há 32 meses estar aqui. São as pessoas que me fizeram perceber como a distância física pode ser dolorosa e como esta pode passar com um simples abraço. São quem nota pela minha voz o meu humor, a minha falta de paciência ou desilusão, mas são também a quem ligo primeiro quando recebo uma boa nota ou faço uma boa apresentação. E nada teria dado certo, se não se tivessem dedicado a educar-me e amar-me durante 21 anos. E como a Universidade me ensinou, tenho como prová-lo: ‘Se não gostasse de ti, não te deixava ir’ (Mãe, 20/04/2017), ‘Pensamento positivo. Acredita’ (Pai, 17/04/2017).

Leonor, a minha fraqueza e a minha vontade. Todas as palavras do Volta’s são sempre escritas contigo em mente [mesmo quando a Mãe acha que são para outras gentes]. Há um ano escrevia na tua fita de finalista, quando o caminho for trabalhoso pensa nas coisas felizes, é o mesmo que ter asas. Tu és as minhas.

Há outras pessoas a quem também tenho de agradecer. À Sofia, por a uma semi-distância ter partilhado a mesma experiência que eu e ser a que mais me compreende nas chegadas ao calor do Alentejo. Não consigo deixar de ter orgulho em ti.

Aos meus padrinhos e amigos que entravam nas chamadas de skype dos aniversários em família e que constantemente me relembravam o que significa estar em casa.

Also, I believe some people did not realize how important they were for me in this journey. Neil, Tracey & Dean for all the trust and endless opportunities you keep giving me every day. The Outreach and Engagement office for providing me with the opportunity to work in such a happy environment. It will be difficult to leave LSBU thanks to all of you. And obviously all the incredible ambassadors I’ve worked with. You are so talented and full of amazing ideas… My best moments in university are definitely with my yellow stars (and I am sorry I can’t name you all on this post). Two of you once asked me why I was always smiling, the truth is: you inspire me every single day. A very special thank you to Giorgia, who taught me everything from day one. You are the kindest soul I’ve met in London. I am certain that your talent and hard work will open wonderful doors for you and I am so glad our paths crossed. Also, Gennaro, I swear to God, every time I work with you I am a happier person. You are a natural! And one of my favourites, sweetheart. Timothy & Sajjad, I feel that you are my buddies since the beginning and I can’t help but smile while thinking about your own journeys. You deserve every opportunity you’ve been given.

And obviously, I cannot forget my first housemates. You made my adaptation to this country so much easier. I still tell everyone how amazing you all are. You will be part of my kindest memories in London forever. I also hope you can visit me more often!!!

To every other person I’ve worked and learned with, just because your name is not on this post it does not mean you are forgotten. You are in every action I daily perform. And I want to thank you for that.

Existem tantas, mas tantas outras pessoas que são família e estiveram à distância, ou até mesmo na incógnita a torcer por mim. Sei-o bem, senti-o sempre que as dúvidas se aproximavam. Aos que estiveram sempre aí, obrigada por acreditarem.

Acabo esta homenagem a todos vocês com um Nobel excerto que parece resumir tudo o que escrevi. Tenho-o repetido vezes sem conta, sem ligar aos limites de paciência de quem me rodeia: ‘a viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse: “Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles’ (Saramago, 1981 in Viagem a Portugal)