Volta's

we own them

Don’t be a reader

Posted on November 27, 2017

Don’t.
Don’t be a reader.
Don’t be a reader, if you want to be rich. Don’t be a reader, if you want not to think as a witch. Don’t be a reader, if you want to be ordinary. Don’t be a reader, if you want to keep using ‘very’. Don’t be a reader, if you want to be… eejit. Don’t be a reader, if you want not to commit. Don’t be a reader, if you only want to talk about what exists. Don’t be a reader, if you want books out of your lists. Don’t be a reader, if you want to criticise others more. Don’t be a reader, if you want to run from a chore. Don’t be a reader, if you want not to know. Don’t be a reader, if you want to sleep though.

Don’t be a reader, if you want to have only a choice. Don’t be a reader, if you want a low passive voice.

And if you want to keep your opinion? Don’t be a reader.
Oh, “but what if I want to be social?”. Don’t. Be a reader. If you want to. Be adventurous. Be a dreamer. Be an animal. Be a spirit and a fighter… Or. a reader, yourself. Simply, be. A reader. Oh, if you want to… Be. A Reader

Crónicas de uma Viajante VII

Posted on November 22, 2017

Nunca pensei muito no que me leva a escrever estas crónicas. Hoje podia simplesmente ser por preguiça. Por alguma razão não me apetece explorar Shakespeare, ponderar e argumentar. Sobre o que pensava. O que escreveu. Quero só aproveitar este sol que me queima os braços até que ele exista. Mas talvez eu precise disso, tal como ele. De assentar. Aterrar. Para explorar os temas da emigração atual. Da minha escolha. Das minhas casas. Da sua existência e inexistência. Das suas consequências. Da minha própria presença no mundo. Há dias em que olhamos para trás. O dia da viagem é sempre um deles.

São quase 3000km e hoje volta a apetecer-me escrever sobre eles. Sobre a nossa receção de braços em baixos em Londres. Sobre os sorrisos simpatéticos para com um inglês que não é perfeito. Hoje dão 8ºC de máxima. De manhã, em Portugal o sol chega aos 16ºC. Levamos comida nas malas e nos lábios o mantra “é so um mês”.
Penso se devo escrever sobre aquele segredo que tão bem sabemos guardar e que já tantas vezes quebrei o pacto e tentei revelar. Vontade não falta. Mas ainda não será hoje.

De chegada ao terminal, uma senhora italiana simpatiza comigo. Vejo-a perdida num aeroporto que já conheço tão bem. Não sabe para onde virar. Talvez por isso se vire para mim. Ao pensar que sou italiana, relembra-me porque estudo línguas e linguagens. Percebo o seu italiano, ela o meu português. Às vezes tenho de dar uso ao inglês para que me entenda. Sorri quando lhe digo que vou para Londres. Com gestos explica que será o seu próximo destino, que deve ser um sonho. Para já volta a Itália. Mostra-me o seu bilhete. Estamos ambas atrasadas. Desatamos numa correria, entre as amostras de perfume e as garrafas de bebida. Ela segue-me as passadas e eu digo-lhe onde fica a sua porta de embarque. Agradece-me amistosamente. Por momentos, não penso em ficar. Não há tempo.

Chegada à porta de embarque, já me esperam no final da fila. A mala rosa já é conhecida por ir para o porão. Nas mensagens de ‘boa viagem’ e nas obrigatórios chamadas de ‘quando embarcares…’ vem sempre a pergunta, ‘Então e a mala? Sempre foi para o porão’. Já deixou de ser algo que simplesmente consigo antecipar. Na minha cabeça, as frases que tenho a escrever vão se formando. Testando. Juntando. Paro, assim que me sento no avião.

Se há algo que me ensinaram faz hoje precisamente dois anos, é que quando se chora nunca se olha para trás. Nos dedos sinto o cheiro a jornal, que passaram ansiosamente pelas palavras de António Lobo Antunes. Na razão pela qual publica as suas crónicas. Eu penso na minha. Fecho os olhos e revejo os meus pais a caminhar para a porta. A minha irmã de mãos dadas, entre os dois. Costas voltadas para mim. Levamos o mesmo nos olhos. Cada um para seu canto. Do mundo barulhento, no silêncio da mente. E por essa razão continuamos a entrar rapidamente no avião. E a encontrar razões para perder tempo nas crónicas que não consigo parar de editar.

 

A Girl is a half-formed thing

Posted on November 21, 2017

Rating: ★★★★☆

The title does leave little for wonders. My first questions when I first saw this title were quite focused on a feminist perspective: why is she a half-formed thing? Because she is a female? Because she is not a woman yet, but a young girl? Or because she needs someone or something to be a girl? Or a female? Or a woman?

Then I started reading it. And from a half-formed thing perspective the reader is pushed into a whole difficult world. Her world. Her reality. Sometimes we are lost. We wonder with her. This girl that leaves her name outside. That takes us into her intimacy without answering the question we first ask, when we meet someone: what’s your name?

But this she does not know. She does not know how to enter the world itself. She does not know anything but her love for her brother. A love which is not always recognisable.

And even though I high rated it, I would still advice you not to read. It cracks something in us. Something I can not explain. It makes us feel unsteady, uncomfortable. With a knot in the stomach. As if we knew we should reveal her secret. We must! But we can not. We can not tell because there is no name attached. We can not feel destroyed because it is fiction. We can not… We can not help her, nor all the other half-formed things in our world. Because, we are half-formed as well. Just like this girl, we just became complete when our story ends. When we close the cycle. But it is shocking how as soon as we open it, we can not stop reading it.

Despedi-me de ti

Posted on November 15, 2017

Despedi-me de ti como se me despedisse de um lugar
Um paraíso para o qual sempre queria voltar
Despedi-me de ti ao despir-me da inocência
e no seu lugar ficou apenas a tua ausência
Despedi-me de ti quando desviava o olhar para a lua
no jardim onde senti que já não era tua
Despedi-me de ti como se fosses um lugar
que sem querer tive de abandonar
Mas ao despedir-me de ti, despedi-me também do lugar
que agora esqueço de recordar.

London Lit Fest VII

Posted on November 9, 2017

It is my last full day of events. The room is different, top floor. The view is magnificent and perfect for the theme. Design for life. I was not sure of what to expect, since there was only one writer on stage. But I believe it was the funniest and most informative conversation so far. ‘What’s the connection between design and society? And maybe literature’. My nose shrinks to the word maybe.

Na folha de papel

Posted on November 4, 2017

Arranquei a folha de cor amanteigada do típico caderno de capa preta. E desatei a escrever. Procurei as palavras que por vezes esquecia e cujo o significado me deixava a pensar. A duvidar. A caneta era a mais requintada que encontrara. Precisava de ter tudo neste papel. Para lhes poder tocar, traçar com a ponta dos meus dedos. Tirá-las do mundo digital. Torná-las reais. Para que nelas pudesse acreditar. Para que a sorte soubesse onde as encontrar. Durante noites inteiras perdi sono propositadamente só para escolher um lugar. Que fosse especial. E escondido. Para que mais ninguém as pudesse ler, até mesmo pegar. Já tinha, outrora, feito o mesmo. Até hoje não me lembro onde essa carta possa estar. Ainda choro a pensar. Tenho medo. Que aconteça outra vez. Que eu me esqueça. Que o dia-a-dia não as venha buscar. Mas arrisco na mesma. Ficam bem pertinho de mim. Em algo que nunca passo de mão em mão. Encostadas à página que torna o que é real, menos real. Que desafia o significado. Que insiste em mudar sempre que as leio. Que continua a testar, em vez de provar. Troco a caneta por grafite. Para relembrar que nada é eterno. Nem mesmo em papel. E agora, mesmo impressas na minha caligrafia, estas continuam a questionar “Não é bonito pensar que sim?”.

London Lit Fest VI

Posted on November 3, 2017

Everyone reenters the room with Foyles bags. The visual message of how good the first session was. The natural day light is disappearing and I decide to take a photo of the background that have been placing us in these conversations. I also come prepared after buying a pin to support women writers. Not because they need financial support, but because they need people to believe in them. In the UK, a high percentage of men do not read novels written by women. The question is: Do women write as women or do they write as writers? The Swedish guest replies ‘being a woman is too confined’, but then it is also true that most times women are giving voice to those who silence themselves, other women.

While questioning if there is a sense of entrapment in women’s mind, the opinions vary. And the tension vanishes when the author of ‘Butterflies in November’ says she gives recipes at the end of her book, apparently her editor said there was food in every page and with her characteristic humour she highlighted ‘you have to feed your characters, it’s a long novel!’. We do get trap in the conversation, ‘I never met any ordinary person, sorry’, one says. ‘We say love so easily, but what is love? Do we feel it?’ other wonders, gesturing around in order to get understood. And discussing a theme as real as ‘Equal women’, I get trap in time again. Since both the novels here, today, were both published twenty years ago. Why did it take all this time to have these women at a huge festival like this? It is something we can think about for awhile. After all, they are right ‘language has been used to get power and justify it, instead of building bridges’. I look outside, to what I photographed before. There, are bridges everywhere.

 

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