Falling Star

I always

believed

in bright

falling stars,

and I still

wish for them

no matter how far.

 

In the plane

or in the car

I touch

the window

lost

in my own

memoir.

From my

headphones

rises the sound of

a guitar,

it easily reaches

my lonely

scar.

 

I wonder

where you are,

if I can close

my hope

of your

existence

forever in

a glassy jar.

 

But

tonight

I will keep

waiting

for my

falling star.

 

 

 

 

The promise I can’t keep

It was a short necklace

with a golden bird on it.

In a book I found its meaning,

which scared me more

than I could admit.

I saw it at the airport,

Aware I’m not infinite,

I had given you my word,

But even for you

I couldn’t quit.

When you look into my eyes,

And ask me for my finger,

I touch the bird and cheat,

while remembering

the promise

I can’t

keep

Relógio de Rua

ELE                                                                                                   ELA

Os ponteiros já apontam                                  O relógio da rua já acerta
A hora de maior pesar,                                      O que tento não despertar,
Quando a solidão chega                                     Mas ao desviar as cortinas,
E não deixa descansar.                              Todas as ilusões parecem espreitar.
Encosto o seu peso                                               A testa cedo descansa
À árvore que costumas galar                             Na janela que uso para sonhar,
Fogem-lhes frios prateados                              Os olhos caem sob a árvore,
Aqueles de que costumavas falar.         Onde uma sombra costumo imaginar.
Procuro as cortinas azuladas                              E aqueles fios prateados
Fugindo do teu vago olhar,                                  De que tanto costumava falar,
A luz do quarto abraça a silhueta,                     Não passava de esperança
Que todas as noites tento decorar.                    Da tua atenção captar.
Vagueias em pensamentos                                   Abandono a leve sombra,
Que tanto desejava adivinhar,                             Tal como te deveria deixar,
Sei que não tocam em mim,                                 Revela-se mais que difícil,
E que bem longe deveria estar.           Sabendo que também não estás a tentar

 

Sempre tentei fugir

Sempre tentei fugir
Dos corpos espalhados, com lábios marcados
Dos corações fechados nos troncos tatuados.
Sempre tentei fugir
De versos inadequados entre olhares tentados
Dos boatos cruzados em sorrisos forçados.
Sempre tentei fugir
Do banco dos julgados, por motivos injustificados
Fingir estar desinteressado por andar isolado.
Sempre tentei fugir
De quem devia ter confiado, após me ter desviado
De me sentir discriminado, de nunca ter duvidado.
Sempre tentei fugir
Das pontes dos cadeados, de virmos a ser separados
De não ser um dos soldados, para a guerra reservados.
Sempre tentei fugir
Dos olhos molhados, dos medos disfarçados
Em campo acumulados, que nos dão como acabados.
Da bala que me atravessa sempre tentei fugir
Mas aqui percebemos deitados, os fados são limitados.

Thunderous

The stormy doubts are approaching,
I can sense them miles away.
Responsible for the ruthless ocean,
My soul implored to betray.

The howls of the wind wave,
While desires drown decisions.
My past turning me into a slave,
All is left are my blurred visions.

Your name becomes a plea,
In my discomfort of existing.
Ripping my skin to get free,
from the ardour I keep resisting.

O tonight your shady vow,
Disclaimed me completely bare.
If I shout and you don’t listen now,
A thunder will hush our nightmare.

Insónia das três

Na insónia das três oiço arranhar,

inseguranças bastardas que tentei camuflar.

Cruzam-se os medos, o fusco do luar,

da solidão surge, ainda que lenta,

o dia transformado em noite pardacenta.

O instinto como arma, não mata mas tenta

passar de presa a predador, de demónios caçador.

Das testas enrugadas, disparam memórias apagadas

dos ombros descaídos, ferozes anjos arrependidos

abocanham, agarram a réstia de sobrevivência,

a cabeça sempre caiu na armadilha da abstinência.

Por entre as veias já gatinha a crueldade mal gasta,

em suor e cansaço a minha sanidade se arrasta.

Rendo a felicidade, a minha paz ao vento,

nos ouvidos resta o bater de um coração violento.

Voltam os sentimentos felinos, revejo-os atrás dos cardos,

nem as memórias de infância já servem de dardos.

Deixo esvair lentamente a minha humanidade,

sem conseguir adormecer começo a perceber,

à noite, todos os gatos são pardos.